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  Antônio Brand: ele está em Ianderu (Ñanderu) – homenagem do professor Carlos Alberto dos Santos Dutra

......Por Comunicação NEPPI - 2012-07-06

O professor Carlos Alberto dos Santos Dutra especialista, mestre em História e pesquisador de etnohistória publicou um texto de homenagem ao professor Dr. Antonio Brand no blog dele. Confira:

“Antônio Brand: ele está em Ianderu (Ñanderu)

A nação Guarani desde o tempo pré-colombiano vaga em busca de Ivy Mara Eye. Noutra dimensão, outros chegaram mais cedo nesta terra sem males sonhada e que foi conquistada com suor e sangue pelos patrícios Lázaro, do Pirakuá; o xamã Paulito, do Panambi; Marta, do Kaguateca; Marçal, do Campestre; Marcos Verón, da Takuara; Nisio Gomes, de Guaiviry, e tantos outros.

 Neste dia, entretanto, a comunidade celeste está em festa com a chegada de um ilustre convidado, ainda que novo morador é um antigo companheiro de caminhada e de luta. A chegada de Antônio Jacob Brand por aquelas verdes campinas, de todo ainda não é entendida e tão-pouco esperada, pois tantos patrícios ainda se valiam da força deste professor para redobrarem sua atenção na conquista de seus antigos territórios e direitos negados neste lugar distante chamado Mato Grosso do Sul.

 De igual sorte, aqui, nosotros, desde a pampa e o cerrado à dentro, pelas matas e pantanais afora, sua partida tão cedo nos enche de perplexidade e dor. Não tem como não chorar a perda –para nós que aqui ficamos--, desse, que se fez sempre igual, amigo e companheiro, cheio de ardor missionário, que nunca desanimou ou deixou de acreditar na capacidade do indígena de superar os desafios impostos a cada momento, e sempre colocado sobre seus ombros.

 Conheci Antônio em 1985 e devo a ele minha militância indigenista. Mais do que me estender a mão, trazendo-me lá do Sul para o Centro-Oeste, coube a ele apresentar-me aos Ofaié e a partir daí deles nunca mais me separei, acompanhando-os no curso da história, pelos caminhos da vida e da morte. Assim também foi com o amigo Antônio: celebrou um pacto de vida com os povos indígenas, especialmente com o povo Guarani, depois de mais de vinte anos de CIMI, secretário zeloso e construtor de pontes do saber, permitindo emergir os que viviam na margem, deu visibilidade a uma luta de povos esquecidos pela história e negados pela política dos homens.

 Ah, Antônio Brand, quanta falta você nos fará. Mesmo agora, quando, nos últimos anos, contribuías para a academia, na UCDB, ainda assim semeavas luzes aos professores da vida, aos dirigentes das nações, aos administradores das coisas e das políticas, abrindo clareiras em meio ao agronegócio em defesa do direito a vida do homem de rosto e coração indígenas desta terra Guarani e Ofaié, Kadiwéu e Terena, Guató e Kinikinau. Imprescindível. O indigenismo no Brasil está de luto.

 Não tem como não deitar lágrimas pela perda deste doutor historiador de envergadura impar que construiu sua história construindo a história dos outros, dos esquecidos, sempre pelas bordas das aldeias enfumaçadas, trazendo-as para o centro do debate. Mais um pouco e lá o encontramos pela poeira das estradas, no fundão das fazendas Dourados adentro, lugar onde o indígena encontrava guarida da pólvora, na fuga do latifúndio e pretório de todas as ordens.

A nação Guarani celeste que soçobrou desses embates há de saudar Antônio Brand com as honras que merece, pois ele trilhou o caminho na busca da Justiça e travou o bom combate. “Assim, também, o atleta não recebe o prêmio, a não ser que tenha lutado segundo as regras, é ao agricultor que trabalha duramente, que cabem em primeiro lugar, os frutos da colheita” (2Tm 2,5-6).  Irmãos Guarani, acolham bem o nosso irmão Antônio, e que neste guaxiré eterno não falte a chicha da redenção para que ele recupere o fôlego da caminhada (para outras campereadas) nos braços de Ianderu.”

Fonte: http://dutracarlito.com/brand.html



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